É, eu sei. Telefones Linux da Nokia virou um assunto mala. Peço paciência. Mas é que o assunto estourou nos últimos 7 dias de uma tal maneira que é impossível ignorar o fato de que não é mais se a Nokia vai lançar um telefone com Linux, porque a bola já rolou e todo mundo começa a esperar pelo anúncio oficial do “Rover”.
Primeiro, devo concordar com algns pontos desse post do Staska no Unwired View.
- não faz sentido a Nokia abandonar o Symbian/S60; no mínimo, investiu 400 milhões de dólares na empresa e certamente que a alta cúpula da empresa não gostaria de ter que explicar a acionistas enfurecidos comprar uma empresa para “jogar fora” (sim, nesse caso a abertura do código do Symbian seria visto como “jogar no lixo”)
- o Symbian continua sendo um tremendo sistema operacional – para os smartphones de hoje
- o Symbian não tem fôlego para encarar a era dos “multimedia computers” (termo, aliás, que a própria Nokia criou)
O que fica claro é que a Nokia observou que perdeu o mindshare para iPhone, Android e Palm webOS; por mais esforço que o 5th Edition faça, o Symbian/S60 virou um ponto negativo (*) num telefone; por exemplo, o N97 é um telefone com hardware extremamente competitivo, mas “ah, roda Symbian”. Não dá mais para popular o seu topo de linha (que, afinal, é onde se comanda margens de lucro maiores) com sistemas operacionais visto como “de celulares”, com toda a carga negativa que isso carrega desde o lançamento do iPhone. A partir daí, faz sentido empurrar o Symbian/S60/Symbian Foundation OS como o sistema de massa, substituindo o S40 (e, aliás, onde o Symbian passeia nos featurephones da concorrência) e colocar o Maemo nos topos de linha.
Por outro lado, a Nokia sabe que o Maemo lhe traz vantagens sobre a concorrência: é um sistema testado nos tablets, com muito fôlego para adquirir mais funções, com uma enorme biblioteca de programas, usando um stack completo com uma licença livre (LGPL) e que é mais parecido com um “computador de verdade” que seus competidores.
Enfim, acho que a Nokia monta um jogo forte para 2010, com Maemo no topo de linha e o Symbian descendo para a conquista da massa pelos smarts. A dúvida é se vai dar tempo de parar a concorrência.
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