O Android Phone Fans especula sobre a Palm usar o Android, e não o vaporizado PalmOS Nova, como seu sistema operacional para o milagroso telefone que a salvará em 2009.
Enfim, faria todo sentido… se não fosse a Palm, que já provou que é uma empresa orgulhosa, que prefere afundar a usar sistema operacional dos outros e que só usa Windows Mobile porque senão não vende para as corporações. De resto, é wishful thinking.
Tem MUITA coisa interessante ocorrendo, mas as notícias atropelam este blog e este blogueiro. Enfim.
Primeiro, a notícia em si: a Nokia compra a Symbian, passa o software para a Symbian Foundation e, junto, entrega o S60. Não sufiiciente, a Motorola e a Sony Ericsson entregam o UIQ e a NTT DoCoMo promete entregar o MOAP(S), a interface de usuário dos Symbian japoneses, para criar uma interface única para os Symbian. E o código desse povo todo será liberado sob a Eclipse Public License num prazo de dois anos. Ufa.
Bom, agora que todos sobrevivemos à onda de choque, vamos lá.
- Péssima notícia para o Google. Apesar de não termos código tão cedo, o simples fato do sistema para smartphone mais popular do mundo E a interface gráfica para smartphones mais popular do mundo abrirem seu código já é o suficiente para muitos pensarem duas vezes antes de fazerem um telefone com Android, mesmo sabendo que o Google é um darling da mídia mundial.
- Também não é um bom dia para a LiMo Foundation, mas como ela nunca se lançou diretamente contra os líderes de mercado, no máximo sai com arranhões leves. Talvez saia até mais forte.
- Nokia e Sony Ericsson não precisam se envolver com a “irritante” comunidade Linux, essa “gentalha” que não aceita DRM, SIM-lock e essas coisas que, em geral, escravizam o assinante à operadora e à fabricante.
- Acaba se repetindo por linhas tortas, no mercado de telefonia móvel, o que aconteceu no desktop: Microsoft e Apple insistindo no desenvolvimento proprietário (e não me venham dizer que a base do MacOS X é BSD, porque sem a parte proprietária não sobra nada) e o resto do mundo partindo para o desenvolvimento aberto e colaborativo.
Claro que sobram mais perguntas que respostas: quanto a Nokia controlará da Symbian Foundation? Em que ritmo será a liberação deste código? Quanto de abertura haverá para contribuições da comunidade? O QT está nesse mix? O futuro do Maemo, como fica? Enfim, a história está só começando…
Está todo mundo numa expectativa nervosa, se perguntando se teremos algum Android neste ano, eu inclusive. Aí sai uma reportagem do Wall Street Journal sobre “atrasos” do Android para 2009, e o pânico se instala.
O problema é que a reportagem não adiciona nada ao que já se sabia.
Dentro das vagas respostas que o Google
sempre dá quando se fala do lançamento das primeiras unidades com Android, a data do segundo semestre continua valendo - a não ser, claro, que o quarto trimestre não seja mais parte do segundo semestre… - conforme lembra o PhAndroid. Além disso, o Android é um sistema que tem que rodar nos mais variados produtos dos mais variados parceiros, conforme lembra o Engadget. E é indiscutível que o HTC Dream sai esse ano. Então, não há NENHUM atraso.
O problema está nas operadoras: A Sprint quer que seu andróide rode na sua rede Wimax
, o que é natural, tendo em vista que os seus executivos apostaram a empresa nesta tecnologia. A China Mobile está esperando por um melhor suporte do Android à internacionalização, já que a ordem é o sistema rodar direito em inglês antes de internacionalizar. E o esforço do Google está todo em lançar um Android na T-Mobile americana ainda esse ano. Mas aí é problema das operadoras, não impedindo a HTC, ou qualquer outro fabricante, de lançar um Android ainda esse ano.
Então me pergunto: cadê o atraso, WSJ?
O ArchosFans alerta para uma importante mudança de estratégia da Archos
; a empresa pretende se focar mais no mercado de PMPs conectados, via Wi-Fi
e/ou 3G.
Com uma certa demora, aconteceu no mercado de MP3 players
/PMPs o que aconteceu no mercado de PDAs: os consumidores deixaram de lado os modelos sem conectividade e passaram a se concentrar nos modelos com conectividade. Essa mudança, segundo os próprios números da Archos
, aconteceu de maneira muito visível na Geração 5, em que os modelos com Wifi venderam bem mais que os modelos sem Wifi.
A conseqüência lógica dessa decisão é o fato de que, certamente, a Archos vai ter que ajustar o seu software para o fato de que, querendo ou não, vai ter que descer para a autêntica briga de rua que se formou no mercado de, digamos, “dispositivos conectados que não são celulares”. Esta autêntica geléia geral de iPods Touch
, MIDs, até Internet Tablets
, é um mercado ainda em formação, em que nada está claro, e a Archos vai ter que moldar seus produtos para este novo mercado, sem perder suas vantagens competitivas, principalmente em termos de reprodução de mídia.
Ari Jaaksi é o chefe de toda a estratégia Open Source da Nokia. Agora que a Nokia é dona da Trolltech, e portanto guardiã do Qt, agora que a Nokia é parte integrante da comunidade GNOME via Maemo, o que Ari Jaaksi fala reverbera imediatamente por toda a comunidade.
Como aconteceu com a notícia de que ele teria declarado de que a comunidade de SL/CA precisa ’ser ensinada’ a ‘conviver’ e ‘obedecer’ aos cânones de aferramento da indústria de telefones móveis (DRM, SIM-lock, patentes e etc e tais). Para uma companhia que tem um histórico de não entender padrões abertos, e que portanto já conta com uma desconfiança da comunidade, sair um tipo de coisa dessas na imprensa significa ser queimada inclusive ‘perto de casa’.
Devemos reconhecer, Ari foi até bem convincente na sua explicação, particularmente depois da ‘tradução‘ feita por Bruce Perens. O problema é que o estrago foi feito. Toda a contribuição da Nokia para o SL/CA não vale nada, porque a publicação das palavras de Ari Jaaksi, mesmo que aceitemos a explicação dele de que “o jornalista publicou aquilo que ele achou importante”, serviu de arma para aqueles que chamam a Nokia de “empresa má para a comunidade”.
Lição do dia, então: se você é um executivo responsável pela estratégia de SL/CA em uma grande empresa, fale o menos possível, particularmente na frente de jornalistas. A não ser, claro, que você seja masoquista.
No final das contas, o lançamento da HTC
na terça passada foi referente a mais um Windows Mobile, o Touch Diamond. Nada de Android
, nada do esperado Dream, aliás o assunto nem foi citado. E isso começou a me deixar inquieto quanto à promessa de termos dispositivos rodando Android ainda esse ano.
Existe uma grande expectativa, um hype mesmo, em cima de dispositivos com Android; o próprio Google
tem alimentado a máquina, com declarações dando esperança de termos algo ainda no verão ou outono do Hemisfério Norte, servindo de padrinho na união de redes Wimax (que talvez se tornem) móveis, etc e tal.
O problema todo é que estamos quase no meio do quinto mês do ano e nada. Verdade que muitas vezes as empresas desenvolvem produtos sob muito segredo e só anunciam a existência dele na hora de pôr no mercado, mas mesmo assim os verbos e adjetivos utilizados ao se tratar de dispositivos com Android não mudou desde novembro: “esperamos”, “talvez”, “provavelmente” e amigos.
O trabalho da hype machine do Google tem sido espetacular em montar uma comunidade em torno do que é, até agora, apenas um emulador; pessoas portando Android para seus dispositivos, os moleques do MIT virando o sistema de ponta-cabeça etc e tal. Mas está começando a passar da hora de termos dispositivos com Android “de fábrica” no mercado.
Nos últimos dias, diversos posts neste Pinguins Móveis foram relativos à nova linha de celulares Motorola, que, todo mundo espera, sairá na CTIA Wireless. E o leitor também notou o quanto critiquei a falta de um lançamento rodando Motomagx com 3G
.
O problema é que a Motorola brada aos quatro ventos que o Motomagx é estratégico, só que não consegue fazer com que um sistema considerado estratégico rode num telefone 3G
, num momento em que está cada vez mais fácil e barato conseguir telefones 3G
. Pode-se dizer, e certamente existe razão, em que o problema da Motorola com 3G
é mais sério, apontando para a falta de telefones com a tecnologia na linha atual (se os leaks estiverem certos, só teremos um telefone 3G entre os lançamentos da CTIA); no entanto, estamos falando de um sistema que, se incluirmos a “versão anterior” EZX, já tem 5 anos de idade e, portanto, já deveria estar rodando em telefones 3G - e, caramba, Purple Labs, Panasonic e NEC, só para ficarmos na LiMo Foundation, já têm telefones com Linux em redes 3G.
Enfim, a Motorola continua lançando versões do RAZR original…
Segundo o Unwired View, a foto abaixo é de um protótipo do A1600 “Ming 2″, que teria aparecido em uma loja de Shangai.

Para mim é fake. Por um motivo simples: se a Motorola matou e enterrou o EZX, porque ele apareceu? E num tema igualzinho ao tema padrão do A1200? Provavelmente esta é uma foto de algum A1200 redesenhado.
Continuo achando que o futuro A1600 apareceu nos vídeos vazados.
Este post era sobre a LinuxDevices perguntando à Motorola sobre a compra da Trolltech pela Nokia - cuja resposta, de maneira curta, foi: “bom, estávamos saindo do Qt mesmo”. Mas esta notícia o tornou irrelevante: a declaração da Motorola de que “está explorando possibilidades” para a complicada divisão de celulares (vamos chamar de MotoMobile
), o que pode ser traduzida como “vamos vender ou fazer um spinoff da MotoMobile
” muda completamente o jogo.
E como isso afeta o MotoLinux
? Boa pergunta.
É certo que os projetos em andamento terão seu ritmo diminuído, e novos projetos não começarão, enquanto a situação estiver indefinida. Por exemplo, se não começou o projeto do, digamos, telefone MOTOMAGX 3G
, não vai começar.
Também é certo que a insegurança, a “rádio corredor”, as fofocas do mercado, tudo isso mexerá com a cabeça do pessoal da divisão. Imagino que muitos já atualizaram seus currículos
e seus perfis no LinkedIn, e que as pequenas empresas de customização de Linux para dispositivos celulares estarão “pescando” nessas águas turvas.
A parte mais complicada de prever é se a MotoMobile
será simplesmente vendida ou será transformada em uma empresa independente via spinoff, e como isso influencia o pinguim.
O cenário do spinoff é o que, penso, menos muda, já que a Motorola
(que, devemos lembrar, sem a MotoMobile continua extremamente saudável) continuará influenciando fortemente, agora como acionista majoritária. Imagino, até, que possa ser favorável ao Linux, já que o sistema livre permite baixar custos de software e concentrar recursos nos problemas de hardware e design que afligem os telefones da empresa.
Já o cenário da venda é turbulento. Até porque entra uma segunda pergunta: quem compra?
Pode ser uma das famintas ODMs/OEMs chinesas que tentam entrar no mercado internacional, e aí entra mais um fator complicador, o de que podem simplesmente usar algum Linux
de alguma empresa chinesa, fora o fato de que pode ser um sucesso à la IBM/Lenovo ou um fracasso catastrófico como Benq/Siemens.
Pode ser um fundo de private equity, e aí é impossível prever qualquer coisa, só se sabe que tudo é possível, desde que no final traga lucratividade a jato.
***
No final, está tudo altamente confuso. Chuto que a Motorola partirá para o spinoff da sua divisão de celulares. E você, leitor?
January 28th, 2008
13:22
Corporações, Opinião
análise de segunda, android, maemo, nokia, qt, qtopia, s60, series 40, trolltech
Essa é a pergunta que todo mundo se faz: porque a Nokia comprou a Trolltech. Vamos tentar responder, sempre lembrando que estamos, ainda, no terreno da especulação e do punditry:
- Penso que o QT é o principal motivo da compra da Trolltech. Um ambiente multiplataforma, com SDKs e IDEs estáveis e robustas, é tudo que não só o S60
precisa para combater Windows Mobile, iPhone e, principalmente, Android, mas também para a Nokia posicionar mais fortemente os seus smartphones como “computadores de bolso”.
- Só que, ao contrário de muitos, não acredito que a Nokia esteja preparando um desembarque do Symbian - afinal, devemos lembrar, a Nokia montou um ataque à fornecedora do OS, e só não foi bem-sucedida porque a Ericsson, com o auxílio luxuoso da Sony, impediu. (Bom, espero estar errado nesta previsão.)
- O QTopia Phone Edition pode ser uma excelente base para um necessário refresh do velho Series 40
. Uma combinação de Linux+QTopia certamente irá manter o low-end e o middle-end da Nokia competitivo a custos mais baixos, preparando o campo para a batalha que se avizinha contra os ODMs chineses, a Samsung e a Motorola.
- Sobre o Maemo, é importante lembrar que os Internet Tablets estão em outra divisão da Nokia, e a Novell já mostrou que é possível “servir a dois senhores”. Inclusive, me arrisco a dizer que a Nokia conseguirá o que a Novell não conseguiu: tornar harmoniosa a convivência de GNOME e KDE no mesmo desktop. EDIT: Essa se confirmou.
- Quem ganhou uma dor de cabeça? Claro, quem usa QTopia. Mais um problema para a Motorola, como se precisasse de mais. Pode ser, aliás, um impulso para a ala da divisão de celulares Motorola (sim, acredito que ela exista) que gostaria de largar essa coisa de MOTOMAGX e mergulhar de cabeça no Android.
- E vamos ver se o Google entendeu o recado deixado pela Nokia, de que não vai deixar o Android “correr sozinho”.
Aliás, notaram quantas vezes citei Android nas minhas previsões?