Engraçado notar que Google e Asus finalmente deram um sentido aos tablets de 7″.
Os tablets de 7″ sempre tiveram dois mercados mais ou menos cativos: dispositivos de acesso à internet e compra/consumo de mídia; os dois tablets de 7″ bem-sucedidos de 2010/2011 – o Galaxy Tab original e o Kindle Fire – serviam/servem bem estes dois mercados. Os smartphones cada vez maiores e o inesperado sucesso do Galaxy Note (com a criação dos ‘foblets’) acabaram com o mercado data-only. Sobra a compra/consumo de mídia.
O problema é que, para que o tablet possa servir de loja virtual de conteúdo, o tablet tem que ser relativamente barato para que o consumidor possa comprá-lo sem grandes esforços e poder gastar mais consumindo. O entendimento desta regra pela Amazon foi essencial para o sucesso do Kindle Fire nos EUA.
A leitura desta situação pelo Google gerou o Nexus 7: um tablet que não tenta ser uma versão menor dos tablets de 10″, que parece gritar “compre, compre, compre no Google Play”, que “volta atrás” para a orientação vertical e que só faz sentido de existir com um Google Play que venda de aplicações a séries de TV, mesmo sendo um GED e ser o porta-bandeira do Jelly Bean.
Por isso o Google e a Asus estão cobrando preço de custo por um tablet de alta qualidade. Por isso a preocupação do Google em lançar o Nexus 7 em mercados fora dos EUA. E, por isso, todos os outros players estão repensando se vale a pena lançarem um tablet de 7″ sem um shopping de mídia para sustentar; eu não me surpreenderia se, sorrateiramente, a Samsung descontinuasse o Galaxy Tab 2 7.0 até poder lançar algo que possa competir no novo mundo do Nexus 7.
(E sim, sei que nada impede alguém de comprar o Nexus 7 para usar como um tablet ‘normal’, ou mesmo para desenvolvimento.)

