Sei que a Computex foi semana passada, mas ainda estamos em tempo de falar dela, certo?
A primeira coisa que temos que entender quando falamos de Computex é entender a importância da feira. Com a queda da Comdex e a ascensão de Taiwan como o centro fabricante de computadores para o mundo, a Computex é a principal feira Wintel do mundo; ou seja, é onde o casamento mais bem-sucedido da informática – Microsoft MS-DOS/Windows e Intel x86 – renova seus votos na frente dos filhos (a indústria taiwanesa de computadores). Pode não ser a feira essecial must-go para andróides, ou seguidores da Igreja de Jobs, ou Linuxers em geral, mas acaba que ninguém consegue ficar indiferente aos ecos de Taipei.
A edição de 2012 se tornou ainda mais importante, porque é onde finalmente surgiu em algo mais que previews o esperadíssimo Windows 8, uma reinvenção radical (“radical” em “ser um sistema operacional touchscreen com um modo desktop clássico muito mal ajambrado”) do sistema da Microsoft. Junto com a campanha da Intel de conquista do mercado móvel, gerou a Computex mais interessante de se acompanhar em muito tempo.
Em software, apesar do Windows 8 ter sido o ator da semana passada da histeria “o Android não chega a 2013″ que a imprensa especializada tanto gosta (esta semana foi o beta do iOS 6 e semana que vem vai ser o preview do Windows Phone 8), a natureza híbrida, e de ter que sustentar dois modelos completamente diferentes, torna o W8 um sistema eternamente à beira da inconsistência. E me arrisco a dizer que o Android 4 está melhor aparelhado para trabalhar com teclado e (principalmente) mouse que o Windows 8.
(De passagem: agora é a hora do pessoal do Linux Mint vender o Cinnamon como a alternativa para o Windows 8 para a grande massa avessa à mudança.)
Em hardware, a Computex se tornou um grande campo de testes de “formas híbridas”, ou seja, laptops e AIOs que unem o novo padrão (touch) ao velho padrão (teclado e mouse/touchpad). Basicamente, a Asus venceu com seus Transformers e Padfones
(De passagem: e os Ultrabooks, como ficam com o Windows 8?)
E, para terminar, a Microsoft “legitima” o mundo ARM com o Windows RT, uma versão mais ‘pura’ (leia-se: puramente para dispositivos) do Windows 8, rodando apenas em alguns SoCs e precificado de maneira que… ahn… legitime mas não venda
O mundo ARM, particularmente os inovadores, continuarão com olhos para o Android… tá, talvez os eleitos façam algum esforço pelo RT, mas mesmo assim.
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A verdade é que o jogo só começou, e apesar de sabermos de antemão que o Windows 8 será um sucesso simplesmente por ser Windows e por ser da Microsoft e porque a Intel investirá milhões nas suas campanhas bizarras de marquetingue, não tem nada muito claro até termos hardware e software na rua. Lembram que todo mundo esperava que o Windows Phone entrasse arrasando?

