Um pouco mais de MeeGo.
Empresarialmente, unir Moblin e Maemo faz todo o sentido, porque unifica todos os esforços do “Linux-não-Google”, em torno de coisas que o Google não vai conseguir entregar facilmente: desenvolvimento nativo, utilização de componentes “padronizados” (por exemplo Qt e RPM), aplicabilidade em um campo de dispositivos vasto (netbooks, tablets, telefones etc e tal); e se você se esquece disso, toda hora está sendo lembrados pelos posts de evangelização da Linux Foundation, via Linux.com.
Tenho certeza que a junção do apoio da Nokia à comunidade Maemo e do trabalho da Intel no Moblin (que nunca teve uma comunidade, pra sermos bem honestos) resultará numa comunidade forte (descontentes à parte), apoiada por grandes empresas e capaz de se tornar uma alternativa viável à concorrẽncia.
(Aliás, por este olhar, o MeeGo é muito pior para a LiMo Foundation que para o Android; a LiMo continua sem um grande ‘patrocinador’ no mundo Linux, a ACCESS continua sem convencer os fabricantes a adotarem o ALP, o Emblaze Else continua sem muito crédito e o fracasso do Vodafone 360 não ajuda na hora de convencer as operadoras que elas deveriam adotar as plataformas da LiMo para vender seus próprios terminais.)
Está tudo muito bom, bom, está tudo muito bem, bem, mas realmente, mas realmente…
…existem as questões em aberto.
- Porque uma união dessa magnitude pegou todo mundo de surpresa, com um anúncio na MWC? Esse é um problema que não existiria se o Maemo não tivesse uma comunidade, mas a comunidade Maemo já existia, era ativa e, nas comunidades do software livre, ninguém gosta de ser surpeendido com uma mudança dessa magnitude. Pelo menos os líderes da comunidade Maemo, ao que parece, foram avisados.
- Quem garante que os planos técnicos para o MeeGo não mudarão? É verdade que quebras de compatibilidade retroativa são fatos da vida no software livre, é verdade que já se sabia que haveria uma segunda quebra seguida no Harmattan, mas de qualquer maneira a Nokia+Intel poderiam pelo menos ouvir o choro dos desenvolvedores e garantir uma estabilidade no MeeGo.
- E o N900? Todo mundo já sabia que o N900 era o “step 4 of 5″, um beta do que o Maemo faria nos Nseries da Nokia. Mas outro “beta device”, o T-Mobile G1/HTC Dream, ganhou mais upgrades de sistema do que Google, HTC e T-Mobile gostariam; em vez de ficar no Android 1.1 (que seria o que ele teria mesmo), conseguiu o update para o 1.6 graças à pressão da comunidade. É esta pressão que levou a alguns aparelhos, que de outra forma ficariam parados no 1.5, terem ao menos a promessa (em alguns casos se cumprindo) do 2.1. Já no N900… só as evasivas da Nokia. Hora da pressão da comunidade, certo?
Como acho que voltaremos ao assunto MeeGo muito brevemente, este post fica por aqui =)

