O anúncio que Chromebooks e Chromeboxes serão vendidos na Best Buy americana e na Dixons inglesa levou alguns a comemorarem a volta do desktop Linux às lojas.
Exceto que o desktop Linux não voltou às lojas.
E nem vai voltar.
Seja pela campanha de FUD da Microsoft, seja pela emergência do MacOS X como O sistema desktop Unix-like, mas também por erros e limitações dos próprios sistemas, o desktop Linux ficou relegado a um nicho de true believers; a última grande chance do desktop Linux, os netbooks, não resistiram a um esforço um pouco maior da Microsoft, mesmo oferecendo um sistema velho – à época, Windows XP – e que ficava desajeitado nos 800×480 e 1024×600.
(É verdade que, no caso das falhas e erros do desktop Linux, senão todos, mas a maior parte dos problemas já foi resolvida; mas o estrago está feito.)
Por outro lado, o sucesso do Android deve ter trazido a certeza que não citar a L-word é o caminho para conseguir usar o kernel Linux e/ou toolkits e bibliotecas sem ligar a rejeição imediata do consumidor. Não por acaso, para ficarmos no exemplo mais gritante, o Ubuntu tem evitado sempre que possível citar a palavra Linux (procure na ubuntu.com) e se apresentar como um sistema operacional em separado; se cada vez mais usuários tradicionais do Ubuntu, portanto usuários de desktop Linux, estão migrando para, digamos, o Mint, não é uma coisa que vá fazer a Canonical mudar seus planos.
No caso do Chrome OS, é ainda pior, já que existe um motivo para não ser desktop Linux: existe Linux suficiente para rodar o Chrome, e só. Quem compra um Chromebook ou Chromebox quer é rodar Chrome.
Resumindo: o fato de máquinas que rodam Linux estarem à venda e com exposição proeminente em grandes lojas não significa que o desktop Linux “voltou ao mercado”.

