Análise de segunda (na quarta): será que UMPCs e MIDs estão a caminho da extinção?

Pelo menos duas vozes diferentes vêm falando a mesma coisa: que UMPCs e MIDs têm cada vez menos futuro no mercado de dispositivos portáteis.

“Por baixo”, atacando os MIDs, os telefones estão cada vez mais assumindo as funções que a Intel esperava que os MIDs assumissem. Com a corrida em direção a resoluções cada vez maiores, com os grandes exemplos do 800×480 do XPERIA X1 e do HTC Touch HD, a melhora dos navegadores Web, o aumento do poder computacional dos chips ARM e a disseminação do 3G[bb], cada vez fica mais difícil convencer os consumidores a comprarem um dispositivo para ter um melhor acesso à internet - ainda mais quando esse dispositivo, com honrosas exceções (Nokia Internet Tablets, Archos Internet Media Tablets), não existe. “Por cima”, atacando os UMPCs, os netbooks ganharam os consumidores e ponto. Não que os netbooks sejam algo novo ou revolucionário, o Toshiba Libretto[bb] já existe faz tempo; no entanto, os preços baixos da atual geração de netbooks e a portabilidade bem razoável que eles apresentam certamente satisfez os consumidores. Não há espaço nesta situação para os UMPCs, uma classe de dispositivos que nunca teve um foco definido e sempre custou mais do que deveria.

E aí, comofas?

No caso dos UMPCs, acho que ninguém tem dúvida: é fazer um funeral pelo menos honesto. Demoraram para amadurecer, não decolaram e não há nada que não possa ser feito num netbook.

No caso dos MIDs, ainda existe esperança de salvamento. No entanto…

  • a Intel tem que reconhecer que a idéia do MID, como está sendo executada, falhou;
  • a Intel deve pressionar os fabricantes a colocarem logo os MIDs na rua;
  • a Intel deve estabilizar o Moblin o mais rápido possível;
  • os fabricantes de MIDs, incluindo aí a Nokia, devem entender que o MID precisa ter conectividade WWAN (HSDPA, WiMAX etc) E muito espaço de armazenamento; ou seja, seguirem o Archos 5g, o único MID/Tablet que fez “a coisa certa” no mundo de iPhones, Androids e telefones WVGA.

EDIT: A Nokia anunciou que a próxima geração dos Internet Tablets terá conectividade HSPA. Alguém em Espoo está lendo o mercado, ufa! Só espero que saia logo.

Análise de segunda: Archos saindo da zona de conforto?

O ArchosFans alerta para uma importante mudança de estratégia da Archos[bb]; a empresa pretende se focar mais no mercado de PMPs conectados, via Wi-Fi[bb] e/ou 3G.

Com uma certa demora, aconteceu no mercado de MP3 players[bb]/PMPs o que aconteceu no mercado de PDAs: os consumidores deixaram de lado os modelos sem conectividade e passaram a se concentrar nos modelos com conectividade. Essa mudança, segundo os próprios números da Archos[bb], aconteceu de maneira muito visível na Geração 5, em que os modelos com Wifi venderam bem mais que os modelos sem Wifi.

A conseqüência lógica dessa decisão é o fato de que, certamente, a Archos vai ter que ajustar o seu software para o fato de que, querendo ou não, vai ter que descer para a autêntica briga de rua que se formou no mercado de, digamos, “dispositivos conectados que não são celulares”. Esta autêntica geléia geral de iPods Touch[bb], MIDs, até Internet Tablets[bb], é um mercado ainda em formação, em que nada está claro, e a Archos vai ter que moldar seus produtos para este novo mercado, sem perder suas vantagens competitivas, principalmente em termos de reprodução de mídia.

Análise de segunda: sobre aprendizado

Ari Jaaksi é o chefe de toda a estratégia Open Source da Nokia. Agora que a Nokia é dona da Trolltech, e portanto guardiã do Qt, agora que a Nokia é parte integrante da comunidade GNOME via Maemo, o que Ari Jaaksi fala reverbera imediatamente por toda a comunidade.

Como aconteceu com a notícia de que ele teria declarado de que a comunidade de SL/CA precisa ’ser ensinada’ a ‘conviver’ e ‘obedecer’ aos cânones de aferramento da indústria de telefones móveis (DRM, SIM-lock, patentes e etc e tais). Para uma companhia que tem um histórico de não entender padrões abertos, e que portanto já conta com uma desconfiança da comunidade, sair um tipo de coisa dessas na imprensa significa ser queimada inclusive ‘perto de casa’.

Devemos reconhecer, Ari foi até bem convincente na sua explicação, particularmente depois da ‘tradução‘ feita por Bruce Perens. O problema é que o estrago foi feito. Toda a contribuição da Nokia para o SL/CA não vale nada, porque a publicação das palavras de Ari Jaaksi, mesmo que aceitemos a explicação dele de que “o jornalista publicou aquilo que ele achou importante”, serviu de arma para aqueles que chamam a Nokia de “empresa má para a comunidade”.

Lição do dia, então: se você é um executivo responsável pela estratégia de SL/CA em uma grande empresa, fale o menos possível, particularmente na frente de jornalistas. A não ser, claro, que você seja masoquista.

Análise de segunda: a falta que um 3G faz

Nos últimos dias, diversos posts neste Pinguins Móveis foram relativos à nova linha de celulares Motorola, que, todo mundo espera, sairá na CTIA Wireless. E o leitor também notou o quanto critiquei a falta de um lançamento rodando Motomagx com 3G[bb].

O problema é que a Motorola brada aos quatro ventos que o Motomagx é estratégico, só que não consegue fazer com que um sistema considerado estratégico rode num telefone 3G[bb], num momento em que está cada vez mais fácil e barato conseguir telefones 3G[bb]. Pode-se dizer, e certamente existe razão, em que o problema da Motorola com 3G[bb] é mais sério, apontando para a falta de telefones com a tecnologia na linha atual (se os leaks estiverem certos, só teremos um telefone 3G entre os lançamentos da CTIA); no entanto, estamos falando de um sistema que, se incluirmos a “versão anterior” EZX, já tem 5 anos de idade e, portanto, já deveria estar rodando em telefones 3G - e, caramba, Purple Labs, Panasonic e NEC, só para ficarmos na LiMo Foundation, já têm telefones com Linux em redes 3G.

Enfim, a Motorola continua lançando versões do RAZR original…

Análise de segunda: a peleja LiMo-Android

Acabou a Mobile World Congress, e quem viu nossa cobertura notou claramente que existe uma corrida sendo disputada. A LiMo Foundation conseguiu segurar parte da máquina de propaganda do Google e mostrar que está disputando firme com o Android. Já o Android apareceu das mais diversas maneiras, em protótipos e telefones ‘de verdade’.

LiMo e OHA/Android estão, agora abertamente, disputando corações e mentes de OEMs, fabricantes e usuários. No campo do mindshare o Android continua com vantagem, mas o LiMo está ali, colado, particularmente com a entrada da ACCESS e o press-release dos 18 telefones. Outra vitória da LiMo foi o anúncio da Orange sobre o misterioso Samsung i800, que sairá no meio do ano, portanto antes dos primeiros telefones com Android.

Ainda veremos muitas escaramuças e batalhas mas, no final, o software livre não é como o proprietário, e permite espaço para todos.

Análise de segunda: porque Nokia e Trolltech juntaram os trapos, uma especulação

Essa é a pergunta que todo mundo se faz: porque a Nokia comprou a Trolltech. Vamos tentar responder, sempre lembrando que estamos, ainda, no terreno da especulação e do punditry:

  • Penso que o QT é o principal motivo da compra da Trolltech. Um ambiente multiplataforma, com SDKs e IDEs estáveis e robustas, é tudo que não só o S60[bb] precisa para combater Windows Mobile, iPhone e, principalmente, Android, mas também para a Nokia posicionar mais fortemente os seus smartphones como “computadores de bolso”.
  • Só que, ao contrário de muitos, não acredito que a Nokia esteja preparando um desembarque do Symbian - afinal, devemos lembrar, a Nokia montou um ataque à fornecedora do OS, e só não foi bem-sucedida porque a Ericsson, com o auxílio luxuoso da Sony, impediu. (Bom, espero estar errado nesta previsão.)
  • O QTopia Phone Edition pode ser uma excelente base para um necessário refresh do velho Series 40[bb]. Uma combinação de Linux+QTopia certamente irá manter o low-end e o middle-end da Nokia competitivo a custos mais baixos, preparando o campo para a batalha que se avizinha contra os ODMs chineses, a Samsung e a Motorola.
  • Sobre o Maemo, é importante lembrar que os Internet Tablets estão em outra divisão da Nokia, e a Novell já mostrou que é possível “servir a dois senhores”. Inclusive, me arrisco a dizer que a Nokia conseguirá o que a Novell não conseguiu: tornar harmoniosa a convivência de GNOME e KDE no mesmo desktop. EDIT: Essa se confirmou.
  • Quem ganhou uma dor de cabeça? Claro, quem usa QTopia. Mais um problema para a Motorola, como se precisasse de mais. Pode ser, aliás, um impulso para a ala da divisão de celulares Motorola (sim, acredito que ela exista) que gostaria de largar essa coisa de MOTOMAGX e mergulhar de cabeça no Android.
  • E vamos ver se o Google entendeu o recado deixado pela Nokia, de que não vai deixar o Android “correr sozinho”.

Aliás, notaram quantas vezes citei Android nas minhas previsões?

Análise de segunda: Uma Nova esperança para a Palm?

A Palm[bb] é uma empresa sui generis. Criou um culto e uma ‘economia Palm’ em torno de si na época dos PDAs[bb] e, mesmo nos piores momentos, conseguiu manter uma base forte e leal de usuários, principalmente porque ainda é um PIM formidável. E, uma empresa com essa aura, sempre vai ser notícia.

Saíram na Palm Infocenter informações cruciais sobre a nova versão do PalmOS (que, como se sabe, usa Linux como base):

  1. O nome de código é Nova
  2. O PalmOS Nova já está rodando num protótipo interno da Palm, chamado Zeppelin
  3. Continua valendo a idéia de lançar dispositivos com o Nova em alguma data a partir de fevereiro de 2009

Será que já não é tarde demais? Certamente não é; o PalmOS, mesmo alguns anos atrás da concorrência, ainda se mantém no mercado, e o sucesso do Palm Centro e dos novos Treos[bb] dá mais um tempo de sobrevida ao sistema (e à empresa). O problema é que se ouve falar de sucessores do ancião PalmOS 5 há três anos; quatro anos, assim que o primeiro dispositivo com o “Nova” sair.

Imagino que, se não tivesse a aura da Palm, já não estaríamos discutindo esse assunto desde o final de 2006.

Análise de segunda: O pinguim e a Motorola

A Motorola[bb] é, pelo menos no Ocidente, o grande fornecedor de telefones Linux; portanto, qualquer ação da empresa deve ter atenção redobrada. Como muita coisa vem acontecendo com a empresa do M estilizado, resolvemos dar uma “freada de arrumação” para analisar os movimentos, e aproveitando para inaugurar uma das nossas ‘colunas’, a Análise de Segunda (trocadilho proposital). Vamos lá.

  • A compra de 50% da UIQ, apesar das aparências, afeta pouco o MotoLinux. A Motorola, e isto está claro para todo mundo, considera o Linux como simplesmente uma plataforma para construção de telefones de massa. Pelos telefones anteriores com UIQ da Motorola, e particularmente o Z8[bb], a idéia é reforçar o anêmico high-end multimídia da empresa, muito atrás da concorrência. O máximo que, acredito, possa acontecer é que algum telefone MOTOMAGX um pouco mais high-end sofra um downsizing.
  • A entrada da Motorola na Open Handset Alliance, sim, afeta muito o MotoLinux. E não é simplesmente porque a Motorola vai lançar telefones com o Android, no mínimo porque é “para estar na moda”; existe um risco da Motorola simplesmente diminuir ao mínimo os esforços no seu próprio MAGX e virar ‘customizadora do Android’. Sim, já são 4 anos de experiência no EZX e depois no MAGX etc etc e tal, mas tendo em vista a crise na empresa, nunca se sabe se os executivos novos vão preferir tomar o prejuízo e mudar de plataforma, ainda mais que o Java, linguagem predileta da equipe Linux da Motorola, é a “linguagem nativa” do Android.
  • A mudança na alta cúpula da empresa muda quase nada esse quadro. Afinal, a equipe continua praticamente a mesma.
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