Publicado originalmente em 2007. Mantido como original. E sim, o Pinguins Móveis também está no FISL.
Já faz mais de um mês que estou com um Nokia 770
(reviews velhinhos aqui e aqui) comigo, graças aos SuperPoderes de Rolo(TM). É interessante que eu tenha realizado o objetivo do “Nokia 770 próprio” agora que o N800 está na rua e o conceito de internet tablet já está mais ou menos assimilado. Então, em vez de explicar tudo de novo, vamos direto ao que interessa - minhas impressões sobre o bichinho.
Navegação: depois que você usa uma tela de 800×480, você começa a achar engraçado navegar nas desengonçadas telas 240×320 e coisas do tipo dos telefones e smartphones
que andam por aí.
Browser: o Opera do IT2006 quase resolve o problema. É conhecido o que ele se atrapalha com sites no limite extremo do Ajax, como o Google Reader; nesse caso existe o ReaderMini (a versão Mobile do Google Reader é MUITO ruim, só serve pra usar com telefone e mesmo assim se você usa poucos feeds). E é conhecido que ele não toca vídeos do YouTube (o N800 toca, na velocidade de uma tartaruga manca mas toca) nem acessa nada em Java. Para o resto da internet, é perfeitamente possível sobreviver com o Opera do 770. Inclusive acessar o internet banking do Itaú (o do BB, como fica fácil de adivinhar, não rola)
Ler email: Serve para leitura de emails POP, mas só pega a pasta root de emails em IMAP. Se você usa um email POP (p.ex. Gmail), o programa resolve o problema. Agora, se você usa IMAP, o programa é bom para, no máximo, uma leitura rápida do que caiu na pasta root; infelizmente, a alternativa (o port do Claws Mail) ainda está muito imaturo.
Digitar: como estou acostumado com stylus e teclados virtuais, não é problema. Chato é que ainda não consegui fazer o combo para ativar o teclado de dedão, onde é possível ativá-lo, claro. Sabia que não ter aprendido a jogar Street Fighter e coisas do tipo iria me fazer falta.
Multimídia: Canola for the win! Instalação obrigatória, apesar do player padrão ser bem honesto para tocar músicas, vídeos e rádios da internet. Aliás, ouvir rádios pela internet é o tipo de coisa que faz todo o sentido do mundo no 770.
Conectividade: pegar rede Wi-Fi por ele é quase uma delícia (a rede do Pátio Brasil não gosta do 770 por algum motivo que ainda vou descobrir). E o 770 pede uma rede rápida; é notável o estresse dele quando conecto por GPRS.
Instant Messaging: se você, como eu, tem muita gente no Google Talk ou em algum servidor Jabber, vai achar o programa padrão uma delícia, já que permite até voz no GTalk; para os outros messengers, o caminho é instalar o Gaim. Mas aí você perde as facilidades de presença que o cliente padrão oferece.
VoIP: Instalei o cliente do Gizmo Project, que usei para acessar a minha conta do Vono como conta secundária (viva o SIP). Nâo fiz um teste ‘à vera’, mas pelo que andei brincando resolveu o problema.
Coisas que não testei: leitor de RSS, reconhecimento de escrita, leitor de PDF.
Moral da história: é o companheiro perfeito para aquelas viagens em que você não vai digitar relatórios (apesar do 770 aceitar teclados Bluetooth e ter o Abiword instalável). É perfeito para aquela leitura de emails de manhã, antes de ir trabalhar. E também é admirável pra ficar batendo papo com os amigos, deitado na cama. Sem contar, claro, simplesmente sacar um bichinho bem menor que um notebook e fazer aquele acesso rápido à internet.
Sabendo das limitações do bichinho, você vai descobrir nele um ótimo companheiro, que vai lhe ajudar a manter - e ampliar - o vício, ou necessidade, de estar o tempo todo online.
Mas, caso você esteja interessado em comprar um Nokia 770, se puder, faça um esforço monetário um tanto maior e parta logo para o N800. As vantagens, particularmente em termos de capacidade de armazenamento, compensam.
Publicado originalmente em 2006. Mantido como original. Este é o 100º post do Pinguins Móveis.
1) O início do começo
Um objetivo que eu queria alcançar neste 2006 era ter tudo o que fosse possível rodando em Linux, entre outras coisas pra poder esculachar troll idiota
. O A768i já estava cumprindo esse objetivo, no entanto num dos meus inocentes passeios pelo MercadoTrash achei um E680 sendo vendido bem barato…. não resisti
Bom, esse é um review do Motorola E680, smartphone da segunda geração de telefones EZX, a interface de smartphones Linux da Hellomoto. Não é definitivamente um telefone fácil de achar, já que foi vendido somente na Ásia. Foi posicionado no mercado de musicphones. Ao contrário da maioria dos telefones com suporte a memória externa, usa cartões SD. E, felizmente, não tem um acrônimo idiota de 4 letras maiúsculas, tão ao gosto da Motorola de uns tempos pra cá.
(De passagem: RAZR até é criativo e tal, mas aí começou a esculhambar… ROKR, PEBL, SLVR, SCPL, RIZR, KRZR etc etc etc. Como diria o Borbs, Shiloh nos defenda! Ou então vou passar a assinar CESR CRDS.)
1.1) Um aviso importante
Como o meu E680 foi devidamente flashado com o firmware do E680i, em termos de hardware falo do E680 e em termos de software falo do E680i.
Não entendeu? Relaxa que entende
2) A primeira impressão é a que fica
A primeira impressão do E680 é que ele é um tijolo, no sentido figurado E TAMBÉM no sentido literal. Tijorola style, yeah! Comparando com o A768 e o Siemens A60, nota-se como ele é maior, mais gordo e mais quadrado:


Comparando com o GP2X, que é grande, afinal é um videogame:

Como em todos os telefones da linha EZX, teclado é pros emos. Touchscreen na veia! Apesar do navegador nas 5 direções, grande parte das operações é feita mesmo usando a stylus (retrátil, por sinal, odeio “di cum força” stylus retrátil) ou então o dedão mesmo, quando assim se permite (ex. discando).
O telefone é meio pesadinho na mão, imagino que colocar um telão e alto-falantes estéreos tenha um custo em termos de peso, então parece que você está falando num tijolo. Não é assim um sidetalking, mas definitivamente não é fashion. Garotas chiques, divas, l33t coders, advogados sérios não o usariam. Tá, advogados sérios talvez usassem a linha P da Sony Ericsson, que também são telefones-tijolo e uma interface gráfica baseada em toque na tela. E l33t coders certamente hackeariam o telefone. Ou não.
O conector de energia/dados é o bom-e-velho miniUSB, embora o E680 infelizmente só suporte USB 1.1. O conector do fone de ouvido é de 2,5mm, o que significa que não rola usar aquele fone de ouvido poderosão, pelo menos sem o adaptador para 3,5mm; isso é uma falha grave para um musicphone.
3) O áudio e o vídeo
O E680 é vendido como um musicphone, or isso tem som estéreo e um fone de ouvido estéreo (que parece um tamborzinho e não ficou bem no meu ouvido) que também serve como hands-free e antena de recepção de rádio FM. O som é muito bom, com um SD bem grande rola de jogar seu audio player no canto. Também não faz feio em termos de recepção de rádio FM, como também em termos de vídeo. O chato é o RealPlayer, que só toca MP3 e RM; para qualquer outra coisa, é necessário usar um outro player como o OZXPlayer e o ePlayer.

4) Usando o bichinho
A interface de usuário do EZX, apesar do E680 ter um navegador de 5 direções, é baseada em touchscreen. UI baseada em touchscreen, como se sabe, é ame-o ou deixe-o. Pessoalmente, vindo de um A768, já me acostumei com isso. O povo que vem de PDA, ou mesmo que usa interfaces de smartphones orientadas a touchscreen como UIQ está acostumado, mas acho que o povo que vier de Nokia Series 60/80 vai apanhar barbaramente.
No caso do firmware do E680i, temos algumas inovações em relação ao do A768; é mais fácil reduzir a utilização da tela de toque ao mínimo necessário, e finalmente temos uma “homescreen”, mesmo que fraquinha:

Eu sou fã de homescreens, é uma maneira sensacional de ter aquela visão completa de como está seu dia.
A tela de programas é a clássica do EZX:

Dos programas de PIM, o que mais modificou em relação ao A768 é o Calendário. É possível criar compromissos em datas como “primeira segunda do mês”. Em termos de funcionalidades, está chegando perto do seu ‘primo’ do PalmOS. E você pode classificar os eventos por cor:

E, sim, sincroniza via SyncML. Só que só aceita sincronização OTA (Over-The-Air).
Em termos de mensagens, a única diferença é que agora você envia SMS e MMS na mesma tela de composição de mensagens. Bem melhor. Do resto, o tecladinho-de-catar-tecla-com-a-stylus e o reconhecimento de escrita continuam lá, firmes e fortes.

Sobre o uso do SD: felizmente é hot-pluggable, ou seja, não precisa desligar o telefone para trocar de SD. Só que o firmware original do E680 não gostou do meu SD de 2GB (WTF?). O firmware do E680i aceitou alegremente.
O chato é que o E680, como já disse, é USB 1.1. Transferir 2GB numa conexão USB 1.1 é um sofrimento. Leitor de cartão USB 2.0 nele!
Só uma última palavra: o firmware do E680i é lento. MUITO lento. Irritante.
5) Estendendo o telefone
Ao contrário do A768, a Motorola desestimulou o modo USBLAN no E680; “de fábrica”, os modos são USB Modem e USB Mass Storage. No entanto, é possível acessar o telefone via USBLAN com um hack; a vantagem é de poder acessar o telefone via telnet ou o seu conteúdo via Samba sem desabilitar a maioria das funções; uma das reclamações do modo USB Mass Storage é justamente desabilitar quase todas as funções do telefone.
Como em toda a linha EZX, a Motorola tenta forçá-lo a usar apenas J2ME; no entanto, não conseguiu dobrar os desenvolvedores, que inventaram maneiras (MPKG e NEO Installer) de instalar aplicativos nativos no E680 (e, também, no A780 e no A1200/Ming). E dá-lhe MotorolaFans.com
O E680 permite utilizar temas; como usuário GNOME, instalei o excelente tema GNOME Bluecurve.

6) Finalizando…
É um telefone para as massas? Não. É um telefone que tem um público específico, com uma construção bem particular. No entanto, apesar de ser feito para o mercado de áudio e vídeo móvel, com alguns hacks (MotorolaFans.com é seu amigo) é um excelente smartphone, mesmo para quem não conhece nada de Linux (a Motorola esconde o máximo possível o coração Linux dos EZX).
É uma pena que a Motorola só vendeu esses telefones Linux/EZX, com a exceção do A780, na Ásia. Se bem que parece que o A1200 vem para o Brasil.
Ah sim. Celular, roteador wireless, dois computadores, videogame, tudo roda Linux. Vai encarar? 
Sim, esta é mais uma seção, e vai recuperar coisas que escrevi no meu blog pessoal sobre dispositivos com Linux. E começamos com uma condensação de dois posts em 2006, revelando minhas primeiras impressões sobre o GP2X. Mantive o post intacto, como publicado na época.
Eu queria tirar essa foto com o GP2X, weeee

Bom, agora que dei um tempinho do GP2X, vamos ao que interessa:
- O aparelho é bem construído, bem sólido, apesar de ser leve
- A tela é bem legível
- Demora 15 segundos pra bootar (firmware 2.0). Saco.
- Não dá nenhuma engasgada visível ao tocar músicas (MP3 ou OGG) e vídeos (XviD)
- Come pilha. MUITA pilha. Use uma boa recarregável.
- O joystick é tosco de com força.
- Os emuladores são muito rápidos, o Alex Kidd (emulador de Sega Master System, ô nome boiola) às vezes engasga de tão rápido que é. Prboom também fica muito rápido, e o QTopia (yes, tem uma versão do QTopia pra ele, com Opera e tudo) é bem usável
Bom, estou adorando o GP2X. Não é certamente um concorrente para o PSP ou o Nintendo DS em termos de mass market, mas para um público muito específico, no qual estou, vale a pena. Se você gosta de emulação, de homebrew ou de DIY, vale a pena gastar seus 170 dólares - ou 650 reais, enviado do Brasil, com cabo de TV Out e adaptador AC, comprado no MercadoLivre do usuário LUCIANO2K - altamente recomendado, aliás
Ah, aliás, o acidx postou nos comentários do post anterior: Manda o /proc/cpuinfo pra mim e vai ter HardInfo pro gp2x. Estou trucando! Vou mandar. Só quero ver fazer 