Sim, eu sei que já existiram os milhares de tablets e apads shanzais. Eu sei que existe o Toshiba AC100, o Compaq Airlife. Eu sei que existe o Viewsonic Viewpad. Eu sei.
Mas eles estão todos na pré-história dos Androids fora dos telefones. Porque a história em si começou a ser escrita hoje, em Berlim, com o Samsung Galaxy Tab.
Sim, o Galaxy Tab não é inovador – a Apple usou a estratégia de ‘esticar o smartphone’ antes, e o Galaxy Tab é quase um Galaxy S ‘esticado’. Sim, o Galaxy Tab não é o primeiro não-telefone Android com os Gapps. Mas o Galaxy Tab não só é de uma grande fabricante, mas também permite algumas inovações interessantes que a concorrência não permite – o Galaxy Tab é provavelmente o primeiro speakerphone GSM/3G do mundo disponível para as massas, o que é sempre útil nestas eras em que o telefone móvel é o meio de contato com as pessoas. E traz algumas surpresas inesperadas, como ser o primeiro tablet do mundo certificado DivX – filmes em 1080p devem ficar lindos
Eu disse ontem que a Internationale Funkausstellung Berlin 2010 (viva o copy-paste) começaria na sexta, né? Quer dizer, para a imprensa começou hoje.
A Viewsonic já está fazendo a festa, com o povo fazendo hands-on do Viewpad de 7″ e do Viewpad de 10″, que dual-boota Windows 7 e Android (ainda dá tempo de atualizar, Viewsonic, a Intel está trabalhando forte pro Android rodar redondo nos Atom).
A Eken, velha conhecida dos apads da vida, também pegou um avião pra Berlim e lá vai mostrar o MO23.
O Samsung Galaxy Tab passou no FCC americano, num momento bem propício para quem vai ser uma das grandes estrelas da IFA.
Não deu tempo do MWKN entrar ontem, então vai hoje; além disso, tem a definição das datas de lançamento do Meego (1.1 entre 21 e 27 de outubro!), a Sygic prometendo amor, carinho, Aura e mapas GPS para os donos brasileiros de N900 e a versão 1.0 do ‘Custom ringtones’.
A Internationale Funkausstellung Berlin 2010 só começa na sexta, mas os motores já estão ligados – mesmo com a Neofonie fazendo o WeTab dar o primeiro bolo da feira.
A começar pela LG que, num evento para revendedores da marca, não se segurou e confirmou a existência do seu tablet andróide, o Optimus Pad.
A Samsung, todo mundo sabe, vai lançar o Galaxy Tab na feira; mas agora sabemos que este lançamento não inclui a versão Verizon, com seus 10″ e – quem sabe – Android 3.0.
A Archos preferiu não arriscar e lançou hoje sua nova linha de tablets, com alternativas para todos os gostos de tamanho de tela (2,8″, 3,2″, 4,3″, 7″ e 10,1″) e preço.
Já a Viewsonic preferiu não esperar e anunciou logo o lançamento do Viewpad. A novidade em relação ao que já sabíamos dele é… o suporte não só a 3G como a chamadas de voz; com isso, o Viewpad pode pegar os Gapps e escapar do problema dos Androids não-telefone.
A Interpad também vai propagandear seu tablet na IFA.
A Philips mandou avisar que o Connect, seu PMP Android, também sai.
E o estranhíssimo rumor de que a Huawei vai lançar, na quinta, um Android 2.2 with Google à la Nexus One.
Se a Samsung quer que o Bada leve “o smartphone para todos”, o S7230E Wave 723 é um boa maneira de alcançar este objetivo.
As especificações são ‘para o povo’: dual-band HSPA, tela WQVGA de 3,2″, câmera de 5 megapixels com flash LED e gravação em QVGA, Wifi n, GPS, Bluetooth 3.0, suporte a redes sociais… e começa o tour mundial ainda em setembro, na Alemanha a 240 euros.
Steve Chippy publicou suas impressões depois de 24 horas com o Toshiba AC100.
E a grande reclamação é a mesma de sempre ao se falar de qualquer smartbook ou tablet com Android: o Google não disponibilizar as suas aplicações proprietárias para outros dispositivos além de telefones. É claro que sempre é possível escapar de uma maneira ou de outra das limitações (sideload, configuração da conta Google como uma conta Exchange, markets alternativos etc), mas – independente da discussão sobre a necessidade de aplicações proprietárias para ter um Android 100% produtivo, que é algo que não vou fazer agora – o Google está criando, na prática, dispositivos Android de segunda classe e fazendo com que os fabricantes vendam estes dispositivos para um público que espera a experiência Android por inteiro.
Na prática, não adianta o Google rezar/chiar/trollar etc para que os fabricantes desistam de vender tablets enquanto o Gingerbread não sair ou smartbooks enquanto o Chrome OS não sair; as pessoas simplesmente estão lançando tablets, como é o caso do StreamTV Elocity A4, do SmartQ T7 (que, com um firmware novo, mostra um poder de ver vídeos em HD que ninguém esperava vir de um Telechips), do Windows N6 MID (que abre alas para a nova geração dos Rockchips, chegando ao clube do 1GHz).
E isso só aumenta a curiosidade em cima da Samsung, de como ela vai resolver isso no Galaxy Tab, afinal a Toshiba é tão membro da OHA quanto os coreanos e não conseguiu as Gapps para o AC100; talvez a manutenção da função de chamadas telefônicas, mesmo sabendo que ninguém em sã consciência vá colar um tablet de 7″ no rosto pra falar ao telefone, seja a chave. Porque do resto é aquilo: vazamento de acessórios, vazamento de uma versão CDMA.