Symbian, a porta de saída da Nokia e da Sony Ericsson

Tem MUITA coisa interessante ocorrendo, mas as notícias atropelam este blog e este blogueiro. Enfim.

Primeiro, a notícia em si: a Nokia compra a Symbian, passa o software para a Symbian Foundation e, junto, entrega o S60. Não sufiiciente, a Motorola e a Sony Ericsson entregam o UIQ e a NTT DoCoMo promete entregar o MOAP(S), a interface de usuário dos Symbian japoneses, para criar uma interface única para os Symbian. E o código desse povo todo será liberado sob a Eclipse Public License num prazo de dois anos. Ufa.

Bom, agora que todos sobrevivemos à onda de choque, vamos lá.

  • Péssima notícia para o Google. Apesar de não termos código tão cedo, o simples fato do sistema para smartphone mais popular do mundo E a interface gráfica para smartphones mais popular do mundo abrirem seu código já é o suficiente para muitos pensarem duas vezes antes de fazerem um telefone com Android, mesmo sabendo que o Google é um darling da mídia mundial.
  • Também não é um bom dia para a LiMo Foundation, mas como ela nunca se lançou diretamente contra os líderes de mercado, no máximo sai com arranhões leves. Talvez saia até mais forte.
  • Nokia e Sony Ericsson não precisam se envolver com a “irritante” comunidade Linux, essa “gentalha” que não aceita DRM, SIM-lock e essas coisas que, em geral, escravizam o assinante à operadora e à fabricante.
  • Acaba se repetindo por linhas tortas, no mercado de telefonia móvel, o que aconteceu no desktop: Microsoft e Apple insistindo no desenvolvimento proprietário (e não me venham dizer que a base do MacOS X é BSD, porque sem a parte proprietária não sobra nada) e o resto do mundo partindo para o desenvolvimento aberto e colaborativo.

Claro que sobram mais perguntas que respostas: quanto a Nokia controlará da Symbian Foundation? Em que ritmo será a liberação deste código? Quanto de abertura haverá para contribuições da comunidade? O QT está nesse mix? O futuro do Maemo, como fica? Enfim, a história está só começando…

Análise de segunda: O pinguim e a Motorola

A Motorola[bb] é, pelo menos no Ocidente, o grande fornecedor de telefones Linux; portanto, qualquer ação da empresa deve ter atenção redobrada. Como muita coisa vem acontecendo com a empresa do M estilizado, resolvemos dar uma “freada de arrumação” para analisar os movimentos, e aproveitando para inaugurar uma das nossas ‘colunas’, a Análise de Segunda (trocadilho proposital). Vamos lá.

  • A compra de 50% da UIQ, apesar das aparências, afeta pouco o MotoLinux. A Motorola, e isto está claro para todo mundo, considera o Linux como simplesmente uma plataforma para construção de telefones de massa. Pelos telefones anteriores com UIQ da Motorola, e particularmente o Z8[bb], a idéia é reforçar o anêmico high-end multimídia da empresa, muito atrás da concorrência. O máximo que, acredito, possa acontecer é que algum telefone MOTOMAGX um pouco mais high-end sofra um downsizing.
  • A entrada da Motorola na Open Handset Alliance, sim, afeta muito o MotoLinux. E não é simplesmente porque a Motorola vai lançar telefones com o Android, no mínimo porque é “para estar na moda”; existe um risco da Motorola simplesmente diminuir ao mínimo os esforços no seu próprio MAGX e virar ‘customizadora do Android’. Sim, já são 4 anos de experiência no EZX e depois no MAGX etc etc e tal, mas tendo em vista a crise na empresa, nunca se sabe se os executivos novos vão preferir tomar o prejuízo e mudar de plataforma, ainda mais que o Java, linguagem predileta da equipe Linux da Motorola, é a “linguagem nativa” do Android.
  • A mudança na alta cúpula da empresa muda quase nada esse quadro. Afinal, a equipe continua praticamente a mesma.
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